
"Eram sete e meia.
O mais tarde que podias entrar era até às oito,
e depois das oito tornava-se reparado.
Havia ordem no mundo
e meia-hora para nós,
meia-hora que não foi como queríamos ,
meia-hora em que cada um de nós nos prejudicava, habituados que estávamos a não nos termos visto nunca.
Levámos meia-hora a combinar outra hora,
para nós,
meia-hora que afinal só começou depois de terminada,
ao despedirmo-nos até à vista.
E até tornar a ver-te eu não me senti,
nem a fome, nem a sede nem outra vontade que tu,
fiz como os poetas que apagam a realidade,
para lhe pôr outra melhor por cima."
Almada Negreiros
O mais tarde que podias entrar era até às oito,
e depois das oito tornava-se reparado.
Havia ordem no mundo
e meia-hora para nós,
meia-hora que não foi como queríamos ,
meia-hora em que cada um de nós nos prejudicava, habituados que estávamos a não nos termos visto nunca.
Levámos meia-hora a combinar outra hora,
para nós,
meia-hora que afinal só começou depois de terminada,
ao despedirmo-nos até à vista.
E até tornar a ver-te eu não me senti,
nem a fome, nem a sede nem outra vontade que tu,
fiz como os poetas que apagam a realidade,
para lhe pôr outra melhor por cima."
Almada Negreiros
Loira
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