segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009





"Um dia, iremos ficar a conversar pela noite fora, sempre que queiras. Falaremos sobre tudo aquilo que não tivemos tempo de falar, sobre as nossas vidas, sobre as nossas lágrimas, sobre o muito que nos custou ficar sem ti, sobre as memórias e as fotografias, os sorrisos. Ficaremos por aqui, sem pressa, como se tivessemos estado sempre debaixo do mesmo céu. Um dia, encontrar-nos-emos algures para esta conversa, sem que as perdas sejam cicatrizes."


Morena

Estrada




"Fazes-te à estrada, preparado, o cantil com água, talvez, a sede à espreita. A estrada é a saída, já o sabes há muito. Sabes que, à tua volta, o ar está seco, como a terra debaixo dos teus pés. Vês no espelho o desalento, observas as lágrimas que lentamente escorrem pela tua face, desafiando a gravidade e teimando em percorrer o máximo de pele antes de cair no chão. Vês, pelo espelho, a estrada nas tuas costas e avanças. Sabia que não terias medo, que chegado o momento, serias tu a desafiar as leis da física e a trocá-las pelas do desespero, queda por palavras, terra seca por tempestade violenta, vida por sonho, certezas por amor. Sabia que serias capaz de voar, apenas porque nunca quiseste olhar para o chão olhos nos olhos. Sabia que partirias um dia Apenas não queria que tivesse sido hoje. "


Morena

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


Duas, três, quatro vezes. Entro e saio simplesmente. Não levo, não deixo. Sou apenas eu com os meus silêncios. No cair da noite, na imensidão de uma casa vazia de cheiro a novo, nada tenho a dizer. E custa. Dói querer navegar e não ter navios, num mar que evapora com o fumo de um cigarro. Cada vez mais.


Perco-me. Desculpa.











Loira