
"Diluis-te no cinzento ou em outra cor qualquer. Deixas-te ficar com um sabor amargo nos lábios, como se nunca tivesses beijado o amor. Deixas que saia de ti a tua essência sem que, de ti, exale o teu perfume irrepetível.
Deixas-te ficar à espera, como se esperar fosse tudo o que sabes e queres fazer, tudo o que toda a gente faz à tua volta. Olhas para uma luz que já não brilha, que nunca brilhou. Contempla-la como se estivesses frente a uma epifania redentora.
Vives como se esperasses pouco mais que nada, talvez a terra húmida por cima da tua pele nua, como uma consolação, como o caloroso regresso à casa que nunca tiveste.
Não dizes de ti nem sequer que gostas que olhem para ti, que vejam o negro fundo dos teus olhos, o natural desalinho dos teus cabelos, o teu corpo delicado.
Esperas, apenas, como se esperasses uma revolução, uma metamorfose, um beijo qualquer desde que te desperte, que não te faça sentir como uma ferida que não pode, não quer, nem sabe sarar.
Como se nunca fosse tarde demais, esperas."
Morena
1 comentário:
Isto é tudo tão verdade...
Espero... esperas...
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