
Talvez desilusões não existam. Talvez seja o termo escolhido para mascarar, de forma egoísta, a nossa falta de modéstia. Os outros não nos desiludem. Somos nós que queremos demasiado, exigimos que os nossos sonhos sejam concretizados por outrém, tal qual como nós o sonhámos. Não damos espaço à surpresa e, se esta ocorre, frustramo-nos, irritamo-nos e culpabilizamos o outro por não ter sonhado exactamente todos os cheiros, todas as ruas, todos os olhares, todos os toques ou até todas as palavras. Poderia até ser melhor, mas somos teimosos demais para aceitar o novo, quando a ideia inicial partiu de nós.
Loira