terça-feira, 17 de maio de 2011

Noite



Quantas vezes desejei que fosses parte dos meus sonhos reais. Quantas vezes quis que chegasses inesperadamente, que com a tua mão forte me agarrasses e me levasses sem destino. Quantas vezes tentei entrar no teu castelo e quantas vezes não estavas para me abrires a porta.

Quantas vezes imaginei os teus passos e quantas vezes me pareceu ouvir a tua voz. Quantas vezes a quis ouvir!

Quantas vezes te quis comigo.

Quantas vezes pensei em ti e quantas vezes me reprimi por isso.

Quantas vezes o amor-próprio deveria bastar, para não nos lembrarmos de quantas vezes fomos incompletos.



Loira

Frustração em Forma de Ponto Final






Somos uma encruzilhada constante, sem fim à vista.

Somos um sonho, talvez. O teu (nosso) sonho.

Conheces-me, mas mal me sabes o rosto. Conheço-te, mas não te sei os traços. E vivemos numa incoerência tóxica que nos vai consumindo os dias e a paciência. E as oportunidades, mais tarde. Quem sabe.

Existe a vontade da sapiência e da clareza, também estas carnais. Mas pelo caminho de palavras frívolas nada se conquista. E se amanhã o sol nos for diferente? Restará a curiosidade e a frustração do que foi e não chegou a ser, desses rostos escondidos. E talvez tudo aquilo tenha sido ilusões e sonhos e criancices e perdas de tempo pelo nada que fizemos. E assim permaneceremos cegos e, muito tempo depois, nunca antes existimos.






Loira