quinta-feira, 17 de junho de 2010


ESCRAVA DA TUA AUSÊNCIA OBSCURA.





Loira

Absorção


É noite. Saio de casa. Olho e hoje o céu está só. Preto, sem brilho. Triste. Amargurado, talvez. Mas o céu é como os homens: nem sempre vê o que está à distância de um abraço. Esticou de cansaço os seus fragéis membros, sentiu uma leve e doce brisa que lhe acariciou o cabelo. Com ela, veio também uma música. Forte e bonita. Aí, o céu percebeu que algo mudara com aquela brisa e, ainda sem perceber porquê, brilhou num sumptuoso mar de luzes: de todas as cores, de todas as formas, de todos os tamanhos, em todas as direcções. O céu despiu-se da sua camuflagem, da sua vergonha. Deixou de ser tímido e acalentou com um clima de magia todos os que sob ele estavam. Naquela noite, o céu tornou-se forte, intenso, possante, varonil. Elegante, romântico. O céu não estava estrelado, porque todas as estrelas se foram embora para apenas uma lhe falar ao coração.







Loira