quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dizes-me: tu és mais alguma cousa
Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.

Então as pedras escrevem versos?

Então as plantas têm ideias sobre o mundo?

Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;

Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as cousas:
Só me obriga a ser consciente.

Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.

Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.

Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.

Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço ideias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,
Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, «é uma pedra»,
Digo da planta, «é uma planta»,
Digo de mim, «sou eu».

E não digo mais nada. Que mais há a dizer?

Alberto Caeiro.

Morena

terça-feira, 12 de janeiro de 2010



Há dias em que apetece desaparecer do mundo, pelo menos do NOSSO mundo.

e, nao poderia deixar de mencionar, entrar no mundo de avatar :D. O filme está excelente e mexe muito com o que o ser "humano" anda aqui a fazer!

Queria mesmo estar noutro mundo, com as pessoas que ainda valem a pena e com a natureza.

Morena

sábado, 9 de janeiro de 2010

Amas-me? Quanto?...

Morena

A Precisar de Resgate


Saudades do antes. Do que tive e já não tenho. Deixa o impasse, a esperança de voltar a ter. Saudades do que passou, de tudo o que foi e já não é mais. Saudades de ti, de todos, de tudo. Quando pensamos que apesar de tudo vai melhorar, há a lembrança de momentos partilhados, o sabor de todos os risos, o som de toda a alegria, o olhar de companheirismo e entreajuda. Tornamo-nos frágeis e, por algumas vezes, isso dificulta que seja melhor do que aquilo que já foi. E o novo, que podia ser bom, traz o travo amargo da saudade. Quero todo o meu antes. Salva-me.







Loira