domingo, 16 de agosto de 2009




Já sou quem tu queres que eu seja,

Tenho emprego e uma vida normal.

Mas quando acordo e não sei

Quem eu sou, quem me tornei

Eu começo a bater mal.

O teu bem faz-me tão mal!
Já me enquadro na tua estrutura.

Não ofendo a tua moral.

Mas quando me impões o meu bem

Eu ainda sinto aquém.

O teu bem faz-me tão mal,

O teu bem faz-me tão mal!
Sei que esperas que não desiluda,

Que por bem siga o teu ideal.

Mas não quero seguir ninguém

Por mais que me queiras bem.

O teu bem faz-me tão mal,

O teu bem faz-me tão mal!
Sei que me vais virar do avesso

Se eu te disser foi em mim que apostei.

Não, não é nada que me rale

Mesmo que me faças mal.

Do avesso eu te direi:O teu mal faz-me tão bem!


Muda-se, devagarinho. Morena

sábado, 15 de agosto de 2009

Fechado para Salvação

Escrever. Escrever. Escrever.
Ah! Que querer hoje! Inexistência de vocábulos. E criatividade. E dos anos que passaram.
Metamorfose regressiva, esta! Jogo de palavras difícil, confuso. Exercício mental complexo. Emaranhado de cores, formas e linhas imaginárias que teimam na ausência de harmonia. Respiração profunda, em arfadas de ar incompletas e urgentes. Sede de metafísica.
Incompreensão coerente, em linha recta. Apogeu decadente, na escala de um tempo contínuo, constante, proporcional.
Apocalipse.








Loira

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Texto em Introspectiva I


Faz agora treze dias após o meu aniversário. Em introspectiva, estou igual. Mais velha, mas igual. Qualquer dia aparecem as primeiras rugas, os primeiros sinais do declínio. Não porque estou perto, mas porque o tempo foge. Todos os bons momentos se dissipam facilmente e surge um sentimento de impotência por não o conseguirmos parar, por não podermos permanecer num momento para nós memorável, por não podermos injectar-lhe uma poção de imortalidade. Todos eles, tal como nós, acabam por morrer. Todos esses momentos acabar-se-ão por se dissolver como espuma de água salgada. Mas por agora estou igual. Tal como todos os momentos que guardei em mim.




Loira

terça-feira, 4 de agosto de 2009




"Ele está em Santa esta noite e de certeza que vai aparecer por aqui. Aliás, já cá estão os amigos dele. Vais ter que resistir aos primeiros olhares dele, ignorá-lo como se fosse um idiota. Não pareças, no entanto, demasiado distante. Ele vai continuar a olhar para ti e tu, obviamente gostas que isso aconteça. Quando perceberes que o copo dele está quase vazio, vai ao balcão pedir uma bebida para ti. Ele sorri-te, sorri-lhe de volta, diz-lhe boa noite. A noite vai começar nesse preciso instante"


Santa Cruz, 2009


M&L